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Dorian Gray – Escritor e Pintor, de Natal

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Encontrei o Dorian Gray no salão da exposição da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte onde tinha ido ver a exposição da ADOTE. Não o conhecia, me apresentei falei do site e queria citá-lo, pois queria mostrar tudo de bom que temos no RN. Ele, muito gentilmente disse que para falar de algumas peças expostas, melhor seria eu conseguir o livro CANTO HERÓICO ARTE&TEXTO que falava sobre determinados trabalhos que estavam expostos, como por exemplo uma tapeçaria que ele tinha feito, que representa a primeira eleitora do Rio Grande do Norte e da América do Sul – Celina Guimarães Viana, nascida em Mossoró, no ano de 1890.  Segundo entrevista dada pelo próprio Dorian a tapeçaria hoje já não tem mercado, mas ele chegou a fazer de 2 mil a 3 mil peças de tapeçaria. Seus trabalhos estão espalhados por todo mundo. Dentre os países contemplados estão França, Estados Unidos, Canadá e Argentina. É, claro que corri atrás do livro, que gentilmente me foi cedido pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. E, com isso esqueci de tirar uma foto com o Dorian, mas estou com o livro em mãos que vale mais do que qualquer foto, valor maior do que esse, só um quadro do Dorian.

O primeiro é o do ataque de Lampião a Mossoró e os outros dois, onde temos o mar, nota-se a suavidade nos tons e cores onde nos mostra uma natureza de uma beleza delicada, onde transmite uma luz e uma beleza de sombras tanto no quadro dos pescadores que lembra a força de nossos homens no mar e no outro que retrata a beleza de nosso litoral, quadro esse que retratei da casa de uma amiga.Nos meus cursos de pintura como tentativa de chegar a pintar algo, o que queria mais aprender é o efeito das luzes e sombras, aquele mar com água espelhada. Um dia ainda tentarei pintar um com o morro do careca com aquele reflexo da água como um espelho igual a uma foto  que tenho de um dos fotográfos de Natal, Canindé Soares.

PS: Cada dia fico mais satisfeita em ter iniciado esse blog/site, pois claro que já sabia que tinha em minha terra natal (RN) um artista como o Dorian Gray Caldas, mas a internet nos proporciona pesquisar mais para conhecer e valorizar, buscando mais conhecimento dando valor ao que é nosso. E, nós não precisamos ir tão longe para valorizar a arte,vamos valorizar o nosso Brasil. Aqui no Rio e em algumas cidade do País temos parte da Europa em determinados bairros.
Na literatura nem se fala, estão espalhados por esse Brasil afora diversos artistas, uns conhecidos, outros ainda a serem descobertos.
Por falar nisso e ainda pensando no meu estado e porque não país, li o comentário do Laurentino Gomes (*), onde ele diz que Luís da Câmara Cascudo foi boicotado pela esquerda universitária na década de 70: “Dois grandes pensadores brasileiros, o pernambucano Gilberto Freyre e o Potiguar Câmara Cascudo eram desprezados e até boicotados nas universidades. O motivo?” e conclui:  Não eram marxistas. “Hoje é quase impossível entender o Brasil sem estudar a obra de Freyre e Cascudo”.
Meu desejo para esse site seria encontrar alguém que soubesse muito sobre Câmara Cascudo. Que me escrevesse e pudesse fazer uma apresentação sobre o mesmo, faria um link se tivesse um blog, site qualquer coisa. Mas, enquanto não ganho esse presente, em março irei à Natal e vou visitar o museu e faço do meu jeito, simples. Afinal estou querendo conhecer mais a obra de nosso grande historiador, que também já li, onde dizia ser mais conhecido lá fora, que dentro até mesmo de nosso próprio país.

* Laurentino Gomes, autor de 1802, 1822 e para fechar a trilogia com data ainda não prevista lançara 1889, pois são as datas ícones da formação do Brasil. É considerado um inovador na forma de contar história.
Leia no site uma entrevista sobre o trabalho do Laurentino Gomes

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/800334-laurentino-gomes-diz-que-1822-e-candidato-natural-a-virar-minisserie.shtml


Links sobre Dorian:
http://enfocaonline.com/index?ArgENID=1217504457
http://www.nominuto.com/vida/cultura/dorian-gray-caldas-doutor-em-arte/25755/
http://www.nominuto.com/vida/cultura/um-artista-fascinado-pela-forma/25759/

 


Nota de Dorian sobre o quadro o Ataque de Lampião a Mossoró....

 

Em 1891, fui convidado pelo meu amigo Carlos Augusto Rosado para realizar um mural, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, sob o tema “A chegada de Lampião a Mossoró”. Já antes, nos 50, precisamente em 1955, o mestre Luís da Câmara Cascudo havia me convidado para pintar um cangaceiro para guardar a entrada da sua biblioteca. Obra de inspiração regionalista (tão evidenciada nos anos 50) e de intenso sentimento de brasilidade. Não é preciso dizer que este convite (aceito e executada a obra) marcou definitivamente a minha carreira, então jovem estreante nas artes plásticas.  
O motivo do cangaço estava desde já incorporado à minha temática, tão expressiva na pintura da época, na obra de Portinari, que ilustrava, na revista “O Cruzeiro”, fascículos de José Lins do Rego sobre o cangaço. Assim como o de outros artistas nacionais, notadamente Aldemir Martins, Clóvis Graciano e tantos outros que procuravam em estilos marcantemente expressionistas a temática do cangaço, como fonte de informação socioeconômica e artística, sem descaracterizar as legítimas tradições do povo nordestino.
Realizei o mural e guardei os bicos de pena. Logo depois, escrevi os versos que hoje entrego ao público, na íntegra, tal qual foram ditados pelo sopro da pintura ou vice-versa. Pertencem de fato e de direito à bela e heróica terra de Mossoró, que tantas vezes tive o prazer de visitar e vivenciar. Sem o contato com o seu povo, ordeiro, brioso e valente, jamais teria escrito esta pequena contribuição à extensa galeria de títulos da “coleção Mossoroense”, tão bem inspirada e dirigida pelo nosso patrono-perpétuo: Vingt-Um-Rosado, a quem devo esta honraria.
Ao passar do tempo, enriqueci meus conhecimentos da vida pregressa de Lampião, através de livros, depoimentos, registros. Ajuizei detalhes, comprarei situações, analisei opiniões. Li Optato Gueiros, Raimundo Nonato, Isaías Arruda, Pedro Augusto, Fenelon Almeida, Maria Isaura Pereira de Queiroz, Billy Jaynes Chandler (talvez a maior contribuição ao estudo sistemático sobre Lampião) e muitos outros autores, revistas e jornais; e cada vez mais me convenço de que fatores sócio/político/geográfico/econômicos influíram determinantemente para a formação do fenômeno do cangaço em nossos sertões. Isso, sem falar na índole do nosso homem nordestino, destemido e bravo, que no dizer Billy Jaynes, Lampião era um desses temperamentos “fortes”, representativos do nosso sertanejo.
Circunstâncias favoráveis ao crime e à vingança, atritos, dificuldades econômicas e sociais, despreparo policial e prepotência foram, em parte, causa e seguimento das comunidades marginais do nosso sertão.
Não pretendo, neste breve registro da “chegada de Lampião a Mossoró”, enaltecer-lhe a valentia desumana nem os propósitos inconfessáveis. Todavia, não é possível, hoje, passados todos esses anos, apaziguados os corações, não estudarmos a vida adversa de Virgolino Ferreira e de tantos outros, como fenômeno do contexto social de uma época. Portanto, este poema é um registro no qual procuro estar mais próximo das razões que fundamentaram o cangaceirismo nos nossos sertões. Longe de ser um mito, o cangaceiro é símbolo e herança das verdades sociais de uma época que ainda hoje persiste e reclama modificações profundas e que não puderam (ou não quiseram) realizar.   

 

Comentários  

 
0 #4 2010-10-14 06:03
Muito obrigada Daliana Cascudo pela atenção de colocar-se à disposição..
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0 #3 2010-10-13 15:02
Prezado Walter Leite:
Lendo o seu artigo "Dorian Gray - escritor e pintor, de Natal", vi o seu comentário sobre o meu avô, Luís da Câmara Cascudo, e o seu pedido "de encontrar alguém que saiba muito sobre Câmara Cascudo". Tenho a ousadia de colocar-me à sua disposição para o que você precisar. Desde janeiro deste ano, a casa do meu avô, transformou-se na instituição LUDOVICUS - INSTITUTO CÂMARA CASCUDO, que abriga todo o seu acervo.
Qualquer coisa nos visite no site www.cascudo.org.br ou entre em contato comigo por e-mail.
Um grande abraço
Daliana Cascudo
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-1 #2 2010-10-13 01:33
Pois é Waler. A descoberta do livro foi um achado, porque o Dorian, de nome, já conhecia, há anos, já tinha visto quadros e tudo mais. MAS o lado escritor e ter uma indicação desse livro através dele foi 10, valeu minha ida nesse dia para ir ver uma exposição (ADOTE) ao invés de uma, vi duas e ainda ganhei um livro.....
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-1 #1 2010-10-12 23:05
Sônia, parabéns pela belíssima descoberta que você fez em Natal - Encontro com a arte e a cultura. O Dorian é um homem que além de escritor é pintor é a história da arte potiguar e depois de Câmara Cascudo é o melhor da arte e da cultura do nosso Estado.
Na próxima vinda a Natal, vá conhecer a história e do museu de Câmara Cascudo, fico no centro de Natal, ao lado da Catedras antiga.
Abraços
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